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SE BEBÊS VÃO PARA O CÉU, POR QUE SE OPOR AO ABORTO?

(Áudio transcrito do podcast Ask Pastor John)

Rodrigo mora no Brasil e escreve a seguinte pergunta: “Olá Pastor John! Tenho visto seu esforço para combater a terrível política de aborto que literalmente destruiu milhares de vidas preciosas. Jesus diz: ‘Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.’ (Mateus 19:14). Então minha pergunta é: os bebês abortados vão para o céu, mesmo sem ter a chance de nascer? E para aproveitar essa questão, em recentes debates online, os críticos do movimento pró-vida dizem que se bebês abortados realmente vão para o céu, então por que o aborto é algo tão sério para os cristãos no fim das contas?”

Tenho argumentado inúmeras vezes que as crianças que morrem vão para o céu. Eu acredito de fato que eles estão em uma condição pecaminosa quando morrem. Eu não acredito que eles são salvos porque não há pecado original. Não é isso que estou defendendo. Minha opinião não é baseada no quão fofas ou inocentes elas são. Baseia-se em grande parte no aparente compromisso de Deus com uma espécie de justiça pública na qual ele faz da rejeição de evidências observáveis da verdade a base para sua condenação final (Romanos 1:20). Mas isso não é o que estou discutindo agora nesta resposta. Eu simplesmente vou supor que Rodrigo possa ir ao site [desiringgod.org] e obter mais material sobre isso.

Eu vou deixar mais claro: Por que você iria se opor ao aborto se achou que estaria enviando bebês maravilhosamente para o céu? Ou, como você diz: Nos recentes debates online, os críticos da posição pró-vida dizem: "Se bebês abortados realmente vão para o céu, então por que o aborto é algo tão sério para os cristãos no fim das contas?"

6 razões pelas quais se opor ao aborto é tão importante

E minha resposta é, é algo tão sério por pelo menos seis razões:

1) É algo tão sério matar bebês no útero porque assassinato é algo muito sério. Sabemos que é algo sério porque a razão pela qual a punição capital ter sido inaugurada por Deus após o dilúvio se deu porque assassinar alguém que carrega a semelhança da imagem de Deus é algo sério. Gênesis 9:6 diz: "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu, porque Deus fez o homem segundo a sua imagem". Isso é o que o torna tão sério. Não se mata seres criados exclusivamente à imagem de Deus.

2) É algo sério matar o feto para tentar justificar o assassinato pelo destino celestial do que está sendo assassinado porque a mesma justificativa poderia ser usada para crianças de um ou dois anos de idade, que ainda são incapazes de processar e interpretar a revelação de Deus. Então, se os cristãos comprassem o argumento, "Claro, isso é bom. Você pode ir em frente e tirar a vida das crianças no útero porque elas vão para o céu", então podemos simplesmente nos virar e matar todos os filhos de um ano e garantir que eles vão para o céu – matar todos as de dois anos e garantir que cheguem ao céu – e vamos usar os mesmos parâmetros talvez por aquela faixa, eu não sei, crianças de três ou quatro anos de idade. Essa é uma posição horrível a se adotar, e é algo sério.

3) É algo sério justificar o assassinato dessa maneira, pelo destino celestial do que está sendo assassinado, porque a mesma coisa seria usada para justificar a morte de cristãos. Vamos sair e converter pessoas, e depois matá-los rapidamente antes que eles possam cometer apostasia ou retroceder. É uma lógica horrível.

4) É algo sério matar aqueles que não cometeram nenhum crime apenas para despachá-los para o céu, porque a Bíblia aborda este tipo de pensamento distorcido quando diz: Permaneceremos no pecado para que seja a graça mais abundante? (Romanos 6:1). Em outras palavras, alguém estava tentando usar a lógica contra Paulo de que a graça abundaria onde quer que o pecado abundasse. Então, vamos pecar mais. E Paulo respondeu: Pratiquemos males para que venham bens? (Romanos 3:8). De modo nenhum! Assim, sua resposta é não. É uma lógica errada pecar a fim de que algum bem possa disso vir. Estamos lidando com Deus aqui, não apenas com pragmatismos.

5) É algo sério porque a vida na terra é boa e maravilhosa. É certo querer estar vivo na Terra. E o apóstolo Paulo, quando comparou morrer e estar com Jesus com permanecer vivo e servir à igreja, optou por permanecer vivo. Eis o que ele escreveu: "Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto se o viver na carne, traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor" (Filipenses 1: 21-23). Assim, alguns podem responder: "Bem, então escolha a morte, por amor a Deus". Mas ele diz nos versos 24-25: "Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne. E convencido disto, estou certo de que ficarei e  permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé."

Portanto, é muito melhor, diz ele, estar com Cristo em um sentido, se sou apenas eu e meus sofrimentos que estão sendo levados em conta. Por favor, Senhor, prefiro estar em casa. Mas se eu levar em conta meu ministério, meus relacionamentos, o bem que eu posso fazer em glorificar a Deus e servir as pessoas pelo tempo que ele me dá aqui na Terra, maiores propósitos estão em mente. E não devemos tirar essa possibilidade de ninguém. Portanto, se há uma pessoa não-nascida, não devemos dizer: "Bem, eles conseguem ir para o céu, então não lhes dê nenhuma chance de servir a Deus na Terra". Isso não resulta do raciocínio bíblico.

6) Por fim, é algo tão sério, porque é presunção entrar no lugar de Deus e tentar fazer as atribuições para o céu e para o inferno. Deus é o juiz, não nós. Nosso dever é obedecer a Deus, não brincar de Deus. Então sim, os bebês vão para o céu, eu acredito. E não, não os mate, porque eles são à imagem de Deus e porque a Terra é a sua casa no caminho para o céu – e com razão – e porque não somos Deus.



Autor: John Piper
Tradutor: Moacir Campos


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