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CINQUENTA TONS DE EI: O PECADO É UMA AGULHA, NÃO UM BRINQUEDO

Cinquenta Tons Mais Escuros foi lançado nos cinemas hoje, dois anos após o primeiro filme da trilogia Fifty Shades of Gray (50 Tons de Cinza), e não surpreendentemente – e ironicamente – apenas dias antes de nossa celebração anual do amor [nota do tradutor: Valentine’s Day, ou Dia dos Namorados, é celebrado no dia 14 de fevereiro nos EUA]. A série de romances eróticos que exploram a dominação sexual e até a violência vendeu (tragicamente) mais de 100 milhões de cópias e foi traduzida para 52 línguas. Sim, os Estados Unidos exportaram estas cenas e esta mensagem em 52 línguas a sabe-se lá quantos países.


Quadro completo: Eu não li os livros ou assisti a qualquer filme, e não vou. Eu li sobre a história e vi um trailer. Creio que aprendi o suficiente para escrever e advertir meus irmãos e irmãs em Cristo (o nome do protagonista é "Christian" [português para “cristão”] para acabar de piorar). Em uma sociedade que minimiza o mal do mal, e até mesmo o glamoriza, precisamos ser regularmente lembrados do perigo do pecado. Como uma criança que descobre uma agulha na rua e pensa que é um brinquedo, podemos ser perigosamente ingênuos sobre o que está acontecendo em nosso entretenimento americano.


A mensagem de que o sexo é egoísta, manipulador e até mesmo divertidamente violento irá abusar e violar você. Pode parecer uma fantasia divertida e inofensiva, mas não é tão sutil ao redefinir o poder e a beleza do sexo, criar bloqueios espirituais em seu coração que acabarão por matá-lo, e prejudicar a sua capacidade de desfrutar de um prazer real e duradouro.


Dez Promessas mais Verdadeiras que Qualquer Fantasia


Antes de comprar um ingresso e algumas pipocas – ou antes de falar com um amigo que queira ler os livros ou ver os filmes – eu quero colocar dez das promessas de Deus diante de você. Minha esperança e oração é que a clareza e o poder das palavras de Deus convençam muitos de vocês a poupar seu dinheiro e seu coração e ajudá-los a fazer o mesmo pelos outros.


1.      O verdadeiro amor – o amor para o qual fomos feitos – deixa de lado os desejos egoístas e se sacrifica pelo bem e segurança dos outros.


“Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 João 4:9-10)


O "amor" sexy e tentador de Hollywood mistura sedução, escândalo e paixão. Sugere que o melhor amor é o amor proibido. O amor verdadeiro – o mais puro, o mais completo, o mais agradável amor – foi projetado por Deus para o nosso bem, e depois exibido por Deus na cruz. Se o amor parece egoísta – se ele toma para si ao invés de ceder ao outro – simplesmente não é amor.


2.      O pecado promete agradar, mas fere sutil e destrutivamente.


“Grande será o sofrimento dos que correm atrás de outros deuses.” (Salmo 16:4)


Se você for honesto, realmente não precisará ser persuadido disso. Qualquer um que tenha experimentado o pecado o conheceu como uma amante desonesta e infiel. O pecado se apresenta – muitas vezes persuasivamente – como satisfatório, confiável e duradouro. Mas nunca é, e nunca o faz. Em vez de saciar o desejo em nossas almas, ele intensifica. Não satisfaz nossa fome; ele só a aumenta. O pecado promete produzir felicidade, mas só cria e multiplica dor, tristeza e necessidade.


3.      O pecado que aparenta e dá a sensação de prazer é apenas uma falha sombra de algo muito mais intenso e satisfatório.


“Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória [...] Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” (Salmo 16: 8-9, 11)


Não há dúvida de que, quando nos entregamos aos desejos de nossa carne, sentimos algum tipo de sensação e até prazer. O pecado não teria qualquer poder sobre nós se não o fizéssemos. A promessa de que estamos esquecendo ou a qual estamos rejeitando, porém, é que a porção do prazer que recebemos do pecado é curta e patética em comparação com o oceano de prazer que teremos na presença de Deus.


4.      Aqueles que optam por ver menos hoje verão mais na eternidade.


"Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus." (Mateus 5: 8)


Há coisas que vemos e nos entregamos a esta vida que nos cegam para Deus. Não há nada mais espetacular e satisfatório do que ver e desfrutar a Deus, mas nós tão rápida e cegamente trocamos essa experiência por 125 minutos (ou menos!) de excitação.


Cada vez que nos expomos e nos entretemos com impureza, estamos sacrificando a nossa consciência e conhecimento da mais alta bondade e majestade e maior amor que alguém já experimentou. Não se deixe enganar, estamos pagando muito mais que o custo de um ingresso de cinema excessivamente caro quando mergulhamos em impurezas.


5.      Luxúria – um desejo sexual desonesto, desviado, ou egoísta – desonra, não honra, seu objeto.


“A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado, como os pagãos que desconhecem a Deus.” (1 Tessalonicenses 4: 3-5)


Sem a devida atenção pode se parecer com amor, mas a luxúria é na realidade um fascínio e fixação no eu. Em determinado momento, começamos a nos conformar com qualquer desejo sexual em um parceiro, independentemente de como ele nos vê. Sentimo-nos honrados (amados) pelo que é, por definição, desonroso e degradante. A atenção sexual egoísta e ilícita parece que está fazendo muito por nós quando na verdade não se importa em nada conosco. Seu único propósito é cumprir um desejo insaciável e equivocado de prazer. A luxúria não é amor; não serve o próximo; e lhe prejudicará antes que você se entregue à sua gratificação.


6.      As paixões da carne não são a mais elevada, mas a mais baixa das experiências humanas.


“Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo [...] satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira.” (Efésios 2: 1-3)


Quando Paulo explica o que aconteceu com você quando foi salvo do pecado, ele diz que você estava morto – não apenas quebrado, doente ou errado, mas morto. E na morte que você estava vivendo, você tirava as suas impressões do mundo e vivia nas paixões da carne, os desejos naturais e pecaminosos do corpo. É isso que significa estar morto.


Quando você menos estava vivo, você era escravizado à luxúria – e todas às outras espécies de pecado. Se você quer viver – verdadeira, duradoura, vibrante, alegremente – deixe de lado seu modo de viver quando estava morto. Escape do caixão das mentiras do mundo. Siga o curso para o céu. Aprenda as paixões da piedade. Cumpra os desejos do Espírito. Viva.


7.      O autocontrole, não o controle dos outros, deve ser celebrado, cultivado e imitado.


“Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem [...] Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos.” (Gálatas 5:19, 21-24)


O tipo de amor e sexo celebrado por Cinquenta Tons de Cinza é esvaziado de seu significado e poder. O amor não exerce o controle na imoralidade sexual, impureza e sensualidade. O amor é paciente, gentil e resiste aos seus próprios desejos egoístas pelo bem dos outros. Em vez de dizer sim a cada impulso rebelde, alheio e depravado, ele pergunta repetidamente o que servirá e satisfará o outro. Ele controla a si mesmo, não ao seu próximo.


8.      O sexo é uma imagem impressionante da pureza e amor de Deus, e pode ser uma arma devastadora de Satanás para a destruição.


Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja.” (Efésios 5: 31-32)


O sexo foi dado a nós para nos dizer algo do amor, intimidade e confiança que experimentamos com Deus através de Cristo. Nosso relacionamento com Deus não é sexual, mas o sexo – como a experiência mais profunda, mais vulnerável e mais sagrada que duas pessoas podem ter nesta vida – é um retrato impressionante da altura, comprimento, largura e profundidade do amor de Deus por nós.


Ao mesmo tempo, Satanás roubou o sexo e o distorceu em algo hediondo e perigoso. O sexo que Satanás vende é uma falsificação – uma estátua de cera derretida tentando imitar o real. Em vez de comunicar a beleza e a glória de Deus, ele demonstra os perigos de se opor a ele e corromper seus bons dons. O sexo que rejeita Deus rejeita sua própria bondade. Ele perde o verdadeiro ponto e prazer do sexo inteiramente.


9.      Nosso mais profundo infortúnio não é apenas que tenhamos nos envolvido com a escuridão, mas que a tenhamos amado.


"Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más." (João 3:19)


Como disse John Piper: "Somos pecadores não porque somos vítimas das trevas, mas porque somos amantes das trevas". Uma forma de se opor à obra salvífica de Deus em sua vida é cultivar amor pela escuridão. Se você acha o pecado atrativo ou aprecia a suposição de que ele é bom e agradável, você se encontrará – quer sutil e secretamente quer aberta e publicamente – amando a escuridão. E o amor pelas trevas não pode e não se aproximará da luz (João 3:20).


10.   A graça de Deus pode cobrir qualquer pecado sexual – por mais egoísta, sombrio e até violento que seja – mas nunca se entretém ou tem parte com ele.


“Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. [...] Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? [...] Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado.” (Romanos 3: 23-24, 6: 2, 6-7).


Se o sangue de Jesus foi forte o suficiente para salvar Davi – o pecador sexual que dormiu com a mulher de outro homem e depois o matou – ele pode salvá-lo de qualquer escuridão sexual que você tenha visto ou praticado. Mas ele não o salvou para mantê-lo lá. Ele morreu não apenas para salvá-lo da escuridão do inferno, mas da escuridão que se arrasta cada vez mais para o nosso mundo e mídia.


Ele morreu para libertá-lo, não para que pudesse satisfazer suas fantasias pecaminosas, mas para que pudesse escapar delas. O Deus que diz: "Não me lembrarei dos vossos pecados" (Isaías 43:25) também diz: "Vai, e de agora em diante não peques mais" (João 8:11).


Simplesmente Diga Não ao Cinza


O pecado é uma agulha que injeta vícios mortais e assassina suas vítimas. Não é o brinquedo que ele finge ser. Penetra silenciosa e profundamente as partes mais vulneráveis ​​e mais duradouras de nós. Qualquer que seja sua embalagem – por mais bonita, cativante e culturalmente aceita que seja – não é seguro. No final, o prazer com culpa não tem prazer algum. Somente Deus pode satisfazer o que nossos olhos e corações realmente anseiam.


Este artigo foi originalmente publicado há dois anos, antes de o primeiro filme Cinquenta Tons de Cinza ser lançado.




Autor: Marshall Segal

Tradutor: Moacir Campos

Texto Original: Fifty Shades of Nay: Sin is aNeedle, Not a Toy



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